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Decidir se você deve largar o emprego

De não consigo continuar assim a uma decisão que você pode colocar em prática.

The case

A maioria das pessoas passa mais tempo escolhendo um sofá do que decidindo se deve largar o emprego. A decisão do sofá tem um processo claro: você mede o espaço, define um orçamento, compara as opções. A decisão profissional, por outro lado, acontece em fragmentos — no trânsito voltando pra casa, às 23h, numa conversa de corredor com um colega que também está no limite — o que significa que raramente é tomada com clareza, e muitas vezes é tomada mal.

A dificuldade é que é genuinamente complicado pensar com clareza sobre uma situação em que você está dentro. Quando as coisas vão mal, sair parece obviamente certo. Quando a semana corre bem, ficar parece obviamente razoável. A pergunta nunca é respondida porque não para de mudar de forma.

O que ajuda é separar a pergunta em perguntas menores com uma ordem fixa. Não porque as respostas sejam simples, mas porque as perguntas anteriores mudam o que as seguintes significam. Se você tentou resolver o problema importa. Se você está esgotado importa. Se você está fugindo de algo ou indo em direção a algo importa. Nenhuma dessas perguntas toma a decisão por você — mas tornam mais difícil se enganar.

O objetivo dessa rotina não é te convencer a ficar nem a sair. É te colocar numa posição em que você sabe qual das quatro opções honestas está escolhendo — e por quê — em vez de derivar para a que exige menos esforço essa semana.

Decidir se você deve largar o emprego

  1. Verifique se você está em um estado reativo. Uma semana ruim, uma reunião ruim ou uma avaliação ruim não são o momento certo para tomar essa decisão. Se algo concreto aconteceu recentemente, espere pelo menos duas semanas antes de continuar.
  2. Pense há quanto tempo você está se sentindo assim. Algumas semanas é uma fase ruim. Quase todo emprego tem uma. Se já faz meses, é um problema diferente.
  3. Escreva o que está realmente causando isso. Seja específico. O trabalho em si, uma pessoa específica, falta de crescimento, salário, valores, o deslocamento. Insatisfação vaga é difícil de transformar em ação.
  4. Pergunte-se honestamente se isso poderia ser resolvido neste emprego. Não se vai ser resolvido — se poderia ser. Se a resposta for não, pule para o @6.
  5. Pergunte-se se você realmente tentou resolver. Conversar com seu gestor, pedir o que você precisa, mudar sua forma de trabalhar. Se não tentou, faça isso primeiro. Volte ao @4 depois de ter tentado.
  6. Pergunte-se se o problema é o emprego ou se você está esgotado. Burnout se parece muito com estar no emprego errado. Se você está exausto, desligado e no limite, um emprego novo vai parecer igual daqui a seis meses. Cuide disso primeiro.
  7. Escreva o que ficar custaria para você. Não financeiramente. Saúde, crescimento, tempo, autoestima. Seja honesto sobre como seria mais um ano assim.
  8. Escreva o que sair custaria para você. Diferença de renda, compromissos, timing. A realidade prática, não o pior cenário possível.
  9. Defina se você está fugindo de algo ou indo em direção a algo. Os dois são motivos legítimos para sair. Mas levam a próximos passos diferentes, e vale saber qual deles está no comando.
  10. Descreva a alternativa realista. Não a versão dos sonhos — a versão real. Que tipo de vaga, em que tipo de empresa, com que salário aproximado, disponível mais ou menos quando.
  11. Tome a decisão. Quatro opções honestas: ficar e mudar algo concreto (com prazo), ficar e aceitar (uma decisão real, não deixar a vida te levar), sair com um plano, ou sair sem um. A última opção às vezes é a certa.
  12. Defina o que vai acontecer nas próximas duas semanas. Seja qual for a decisão, algo precisa se mover. Uma conversa, uma candidatura, um limite estabelecido, um número calculado.

Gambiarra à vontade

O erro mais comum aqui não é tomar a decisão errada — é não tomar nenhuma. Ficar por inércia porque sair parece difícil também é uma decisão, só que não consciente. O passo #11 merece atenção até você conseguir nomear qual das quatro opções está escolhendo de verdade.

Os passos #4 e #5 são os mais pulados. Se o problema poderia ser resolvido neste emprego e você ainda não tentou, você ainda não tem informação suficiente. Não é questão de lealdade ao empregador — é tomar uma decisão baseada na realidade, não no que você imagina que aconteceria.

A verificação de burnout no #6 é fácil de ignorar e vale ser levada a sério. O sinal costuma ser esse: quando você imagina um emprego diferente, o alívio parece animação, ou só parece não estar aqui? O segundo é burnout.

Se você usar essa rotina mais de uma vez para o mesmo emprego, preste atenção nisso. Algumas decisões levam tempo. Mas voltar ao passo #1 de alguns em alguns meses sem nunca chegar ao #11 é, por si só, uma resposta.